Filosofia da Ciência
Uma regra serve para toda a ciência?
Lakatos ainda procura critérios para trajectórias melhores ou piores.
Feyerabend pergunta se procurar um método universal não será já começar no sítio errado.
Against Method nasceu em diálogo com Imre Lakatos, amigo e adversário racionalista de Feyerabend.
No prefácio posterior, Feyerabend aproxima o livro de uma carta provocatória a um interlocutor, não de um tratado sistemático.
Feyerabend rejeita a ideia de anything goes como uma nova regra metodológica simples.
A provocação ataca sobretudo a pretensão de encontrar uma regra que funcione sempre.
Shaw (2017) argumenta que o anarquismo pode ser também uma tese positiva.
Reconstrói duas possibilidades:
É a leitura de Shaw. Não sabemos se Feyerabend aceitaria esta formulação.
Feyerabend pinta um A anarquista sobre a inscrição THE METHOD.
Uma teoria dominante é mais difícil de criticar quando não existe uma alternativa séria.
Uma alternativa pode tornar visíveis pressupostos que, dentro do quadro dominante, pareciam apenas «o modo normal de fazer as coisas».
Importar ferramentas de outra área pode ajudar.
Mas há oposição quando a alternativa também pode:
Pluralismo interessa quando há desacordo que pode ensinar alguma coisa.
Na leitura de Shaw:
usar, combinar ou abandonar métodos conforme o problema exige.
Isto não é licença para ignorar dados nem para salvar qualquer conclusão.
Não haver uma regra universal não significa que todas as alternativas sejam igualmente boas.
Podemos comparar argumentos, resultados, problemas resolvidos e dificuldades criadas.
Feyerabend também questiona uma passagem automática:
autoridade científica → autoridade política
A crítica abre uma discussão sobre instituições, pluralismo e controlo democrático.
Uma regra protege-nos de más decisões ou impede-nos de ver alternativas melhores?
E é precisamente aqui que a leitura de Shaw se torna interessante.
Está bem. Não há uma receita universal. E amanhã, como fazemos ciência?
Voltamos ao chão do laboratório:
intervir · medir · procurar erros · testar com severidade
Hacking, Franklin, Galison e Mayo ajudam-nos a recuperar algum chão firme — sem regressar a O Método.